Artigo do Dr. Edmond Barras - Nós precisamos deles mas eles precisam de nós

Artigo do Dr. Edmond Barras - Nós precisamos deles mas eles precisam de nós

Com esta frase o Dr. Edward M. Ellison, diretor médico executivo da Southern Califórnia Permanente Medical Group iniciou a sua conferencia Healthy Returns da CNBC em Nova York. O rigoroso cronograma de trabalho e a pressão enfrentada pelos médicos norte-americanos fazem com que eles se “estressem a ponto de quebrar” e tenham as mais altas taxas de suicídio do que qualquer outra profissão. Estudos mostram que um médico se suicida todos os dias nos Estados Unidos. Segundo Ellison, o setor de saúde precisa de programas para que os médicos aprendam os auto-cuidados e obtenham apoio emocional e psicológico. Ele acrescentou que a medicina precisa se tornar mais eficiente também para os médicos. “Precisamos mudar nosso pensamento e mudar nossa cultura dentro da profissão e na sociedade; os médicos tendem a se achar indestrutíveis”. Segundo Ellison, 44% dos médicos apresentam sinais de “burnout”, que é o esgotamento físico e emocional, o que pode levar a insônia, falta de apetite e outros problemas de saúde mental. Uma das principais razões pelas quais os médicos começam a se sentir esgotados é o fato de serem submetidos a sobrecargas de trabalho e esquecem de cuidar de si mesmos. Condições psicológicas adversas provocadas pela sobrecarga de trabalho, pela sensação de ineficiência, pela falta de significado do seu trabalho, pelos problemas domésticos, levam ao alto índice de suicídios, segundo a Associação Americana para Prevenção do Suicídio. Embora tenha havido um grande progresso na indústria de cuidados de saúde, as melhorias tiveram pouco impacto sobre os horários dos médicos. A criação de um ambiente exageradamente estruturado, muitas tarefas são cumpridas por outros membros da equipe, porém ainda a maior parte recai sobre os próprios médicos. Isso faz com que eles tenham que trabalhar mais horas mas passam menos tempo com os seus pacientes.

Os suicídios dos médicos são um enorme problema no setor da saúde, sendo que eles têm muito mais propensão a se matar do que a população em geral. A taxa de suicídio entre médicos é 40% maior e entre médicas 130% maior que no restante da população em geral. Além dessas altas taxas de suicídios entre os médicos, entre os estudantes de medicina é a segunda principal causa de morte. Estudantes de medicina são três vezes mais propensos a se suicidar que seus colegas de outras áreas, segundo a American Medical Student Association.

O suicídio é causado por depressão ou outra doença mental não tratada ou tratada de maneira ineficiente. Depressão na profissão médica afeta 12% dos homens e 19,5% das mulheres e cerca de 15% a 30% dos estudantes. Um estudo mostrou que 23% dos médicos residentes tinham ideias suicidas, embora esse número tenha caído pela metade após terem feito um curso de terapia cognitivo-comportamental. Segundo Ellison, são necessárias mudanças fundamentais no sistema médico para reduzir o estigma da falta de necessidade de ajuda e para uma maior conscientização sobre a saúde mental. Os pacientes também podem ajudar os médicos com pequenos gestos; “então da próxima vez que você vir seu médico, olhe nos olhos dele e diga: obrigado”. Nós precisamos deles mas eles precisam de nós!

Dr.Edmond Barras formou-se em 1973 pela Faculdade de Medicina da USP. Foi residente-estrangeiro do Hopitaux de Paris em 1976 e 1977 e médico assistente no Hospital Pitié-Salpetrière, em Paris. Em 1978, fundou o Serviço de Clínica e Cirurgia da Coluna Vertebral da Beneficência Portuguesa de São Paulo, que dirige até hoje, além de ter participado de congressos no Brasil e exterior e ter inúmeros estudos e trabalhos publicados, sempre relacionados à coluna vertebral. É membro da Associação Francesa de Cirurgia.

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