Dr. Edmond Barras - Dor de coluna em Crianças

Dr. Edmond Barras - Dor de coluna em Crianças

As dores raquidianas constituem uma preocupação de saúde pública em todo o mundo. Historicamente, esse problema foi muito estudado na idade adulta, mas tornou-se cada vez mais evidente que essa queixa está presente já na infância. Estudos epidemiológicos mostraram que a presença da dor nas constas na infância é um fator preditivo de dores na idade adulta. Além disso, a dor de coluna em crianças causa desconforto e prejuízos na sua atividade diária, bem como problemas a longo prazo. Crianças e adolescentes com dores nas costas aumentaram a utilização dos serviços de saúde, o absenteísmo na escola e a restrição de atividades físicas. Também se observou que essas crianças referiam outras queixas de saúde, tanto físicas quanto psicológicas. Portanto, estudar as causas dessas dores logo no seu início pode ser grande valor para orientar à sua prevenção, o que pode ser benéfico na idade adulta.

Pesquisadores dinamarqueses estudaram a epidemiologia dessas dores em crianças entre 11 e 14 anos de idade através de uma análise prospectiva que avaliou 46.726 crianças nascidas entre 1996 e 2003. Essas crianças começaram a ser acompanhas desde a gravidez das mãos, de maneira regular e individual, por um programa informatizado. Os resultados evidenciaram que a dor de coluna é um problema comum nas crianças, entretanto a extensão exata do problema depende de cada caso e da natureza da dor, bem como a idade de cada criança ou adolescente. O questionário, entre os outros quesitos, apontava a região da coluna, a intensidade, a frequência, da dor e as implicações na vida diária dessas dores. A intensidade da dor foi classificada numa escala de 1 a 6 a partir da análise da expressão facial. As dores cervicais foram as mais frequentes, correspondente a 34% das queixas, 25,5% de maneira moderada e 8,5% de maneira intensa. Dores na região dorsal foram relatadas por 19,3% das crianças, moderadas 14,3% e intensas 5%; dores lombares em 16,63%, moderadas 11,9% e intensas 4,8%. No total, dores importantes foram observadas em 9, 8% dos meninos e 14% das meninas, enquanto que moderadas atingiram o índice de 30%. A maioria se queixava de dores em uma única localização.

Para 23% das menias e 20% dos meninos as dores influenciaram as suas atividades quotidianas, com uma diminuição da atividade física em 15,6% dos casos sendo que 7,6% relataram impacto na atividade escolar. A frequência das queixas aumentava com a idade sendo que aos 18 anos os índices eram semelhantes aos adultos. Portanto, um número significante de crianças sofre de dores nas costas. São mais frequentes em crianças de camadas sociais mais desfavorecidas. A causa dessas dores não foi investigada do ponto de visto etiológico nessa pesquisa o que sugere que futuros estudos deverão ser feitos para se chegar a ações preventivas. O status sócio econômico está associado à capacidade dos pais de se preocupar com a saúde e o bem-estar dos seus filhos, com o estilo de vida, hábitos de saúde e conhecimento. Assim crianças que crescem em famílias desfavorecidas estão mais predispostas a adversidade na saúde. Do mesmo modo crianças de família com menor nível educacional e de baixa renda tem maior possibilidade de apresentar dores na coluna do que as de família abastadas. Esses achados também foram evidenciados em dois estudos nórdicos que sugerem um gradiente social similar em relação as queixas somáticas, incluindo dor nas costas; do mesmo modo em outro estudo, que sugere que um baixo nível sócio-econômico é um fator de risco para dores músculo-esqueléticas em um segmento a longo prazo. A situação familiar pode afetar a vulnerabilidade e o bem-estar da criança. Crianças de famílias monoparentais, adotadas, ou filhos únicos eram mais vulneráveis e tinham piores condições de saúde do que crianças de famílias tradicionais e com irmãos biológicos. Sintomas psicossomáticos também eram mais frequentes. É provável que alguns fatores desencadeantes possam estar presentes no ambiente familiar da criança, assim como o comportamento dos pais e relação à dor crônica, problemas de saúde mental e comportamental (depressão, ansiedade, uso de drogas), fatores psicossociais e estilo de vida. Essas condições podem afetar os sintomas psicológicos das crianças, tais como distúrbios do sono, sentimento de inferioridade e solidão. Esses fatores estavam frequentemente associados a dor de coluna em crianças.

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