Dr. Edmond Barras - Música para o tratamento da dor lombar crônica

Dr. Edmond Barras - Música para o tratamento da dor lombar crônica

Com este título dois pesquisadores ingleses da Anglia Ruskin University,
Jöng Fachine e Clemens Maidhof publicaram um artigo interessante na revista Frontiers in Psychology. Os autores encontraram benefícios levados pela musicoterapia no controle da dor lombar, porém a maneira como ela atua continua incerta. O objetivo de um “musicoterapeuta” é alcançar um momento de mudança no qual ele pode estabelecer a sua conexão com o paciente. Terapeutas e pacientes frequentemente relatam um sentimento de sintonia e agora há evidencias que podem confirmar esse fato. Os pesquisadores usaram um hiperscanning – um procedimento que pode gravar simultaneamente as atividades do cérebro de duas pessoas – para estudar a sessão de um musicoterapeuta com um paciente. O método pode mostrar as pequenas alterações, que de outro modo seriam indetectáveis, e que surgem durante a terapia. O terapeuta e o paciente são submetidos simultaneamente a uma eletroencefalografia enquanto a sessão é filmada. Em última análise os pesquisadores esperavam aprender mais sobre como os indivíduos interagiam. A música usada terapeuticamente pode melhorar o bem-estar e tratar condições que incluem ansiedade, depressão, autismo e demência. Terapeutas musicais se basearam nas respostas dos pacientes mas, usando o hiperscanning pode se observar exatamente o que acontece no cérebro do paciente. Uma vez as gravações das sessões concluídas os pesquisadores pediram ao terapeuta, ao paciente e a outros dois especialistas em musicoterapia assistir ao vídeo e dar uma nota para os momentos de mudança bem como para os momentos sem
importância.

A equipe examinou as alterações e chegaram à conclusão que dois
momentos eram cruciais. Em seguida, os autores analisaram os traçados
eletroencefalográficos naqueles momentos. Eles deram atenção especial às
áreas do cérebro que processam emoções positivas e negativas.
Surpreendentemente eles descobriram um traçado que ilustra o momento da mudança na atividade cerebral. Quando o cérebro do paciente mudou de
emoções negativas para emoções positivas o cérebro do terapeuta mostrou
exatamente o mesmo padrão. Tanto o terapeuta quanto o paciente identificaram esse momento como a fase na qual a sessão estava funcionando. Não apenas os seus pensamentos estavam em sintonia como também a sua atividade na área do córtex visual de ambos os participantes durante os momentos de mudança.

É evidente que novas pesquisas precisam ser feitas para que as relações
de sincronicidade possam ser confirmadas, porém esse estudo é um marco na pesquisa da musicoterapia. Estudos como esses podem ajudar os
pesquisadores a entender melhor o processamento emocional em outras interações terapêuticas.

Dr. Edmond Barras – formou-se em 1973 pela Faculdade de Medicina da USP. Foi residente-estrangeiro do Hopitaux de Paris em 1976 e 1977 e médico assistente no Hospital Pitié-Salpetrière, em Paris. Em 1978, fundou o Serviço de Clínica e Cirurgia da Coluna Vertebral da Beneficência Portuguesa de São Paulo, que dirige até hoje, além de ter participado de congressos no Brasil e exterior e ter inúmeros estudos e trabalhos publicados, sempre relacionados à coluna vertebral. É membro da Associação Francesa de Cirurgia.

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